segunda-feira, 1 de agosto de 2005

Repartir....?

... sabendo nós que os sentimentos nos ajudam a progredir na vivência quotidiana, devemos nós reparti-los com os que nos rodeiam?

O repartir um sentimento é , mais uma vez, uma definição subjectiva, aliás, em questões de sentimentos não existe outra coisa mais do que subjectividade, no entanto o nosso próximos que nos conhece bem, ou começa a conhecer-nos, sabe o que estamos a sentir ... ou não ... (como se diz hoje!).

Precisamos antes de mais saber escolher quem nos rodeia e deixar essa pessoa a ter a vontade de "carregar" connosco o nosso sentimento, somente depois poderemos decidir quem está, ou não, habilitado a suportar o nosso quotidiano.

5 comentários:

jb disse...

"Para que me lembrem

Virá o dia em que o meu corpo jazerá sobre um lençol branco asseadamente aconchegado por baixo dos quatro cantos de um colchão instalado num hospital activamente ocupado com os vivos e os mortos.

A determinada altura um Médico decidirá que o meu cérebro deixou de funcionar e que virtualmente a minha vida parou.

Quando isto acontecer, não se atrevam a insuflar vida artificial no meu corpo através de uma máquina. E não chamem a isto o meu leito de morte. Chamem-lhe de ?leito de vida? e deixem que o meu corpo seja levado para ajudar outros a dar vida.

Dêem os meus olhos ao homem que nunca viu um amanhecer, um rosto de criança ou amor nos olhos de uma mulher. Dêem o meu coração àquele cujo coração nada sentiu a não ser dias indetermináveis de dor.

Dêem o meu sangue ao jovem que emergiu dos destroços do seu carro, para que ele possa ver os seus netos a brincar.

Dêem os meus rins àquele que depende de uma máquina para existir semana a semana.

Tirem os ossos, cada músculo, cada fibra e cada nervo do meu corpo e arranjem maneira de pôr uma criança coxa a andar.

Explorem cada canto do meu cérebro. Retirem as minhas células, se necessário e deixem-nas crescer de modo que, qualquer dia, o rapaz mudo possa dar vivas à pancada do taco num jogo de críquete e a rapariguinha surda possa ouvir o ruído da chuva batendo na sua janela.

Queimem o que de mim ficar e espalhem as cinzas aos quatro ventos para ajudar as flores a crescer.

Se tiverem de enterrar alguma coisa, deixem que sejam os meus erros, a minha fraqueza e todos os danos causados ao Homem, meu Irmão. Dêem os meus pecados ao diabo e a minha alma a Deus.

E, se por acaso, quiserem recordar-me, façam-no com uma oferta amiga ou uma palavra a alguém que precisa.

Se fizeram tudo isto que eu pedi, viverei para sempre."

Nuno Barreto disse...

Concordo que na igreja tem de haver intimidade entre os seus membros, e isso implica partilhar os nossos sentimentos de uma forma aberta. Essa intimidade, no entanto é um processo que leva tempo a atingir.

jb disse...

ao nuno barreto:
"Concordo que na igreja tem..."
Mas quem é que falou aqui de igreja?

Paulo Silva disse...

Muito bem observado, amigo jb!

ninguém antes do Nuno falou em igreja ... no entanto é necessário saber ser Igreja ... o que é um conceito que muitas vezes não damos valor e eu ... sem querer ... descobri que através de um blog podemos ser Igreja, ou seja e explicando, haver comunicação e relacionamento entre vários elementos que acreditam no mesmo e que prezam e não têm problemas em abrir a Igreja para os amigos mais próximos.

jb disse...

tá explicado "mano" Paulo.